Descobri este filme no começo deste ano ao preparar um dvd para a professora do meu guerreiro. Sim! Eu sempre passo algum material sobre o transtorno de aprendizagem que afeta meu filhote. Diante de tudo que nós já passamos (desconhecimento, desprezo, intolerância, arrogância, falta de competência, etc), acho importantíssimo. Assisti o filme 3 vezes. Na primeira chorei muito, identifiquei meu guerreiro e também a mim, ao meu marido em várias cenas.... Na segunda, algumas lágrimas escorreram... Na terceira, somente emoção. Este filme é realmente MARAVILHOSO, consegue retratar bem o universo da criança disléxica – a letra ruim, problemas de coordenação motora, orientação espacial, baixa autoestima, as tentativas de esconder as dificuldades com atitudes ou palavras que parecem dizer “Não estou nem aí!”. Acredito que no filme o professor é uma alegoria, ele representa aquela pessoa que pode fazer a diferença na vida de uma criança disléxica, pode ser o pai, a mãe, um irmão, um conhecido da família, o professor, etc... No caso do meu guerreiro eu e meu marido representamos os dois papéis, de pais e também daquele que faz a diferença, não porque já conhecêssemos o problema mas porque nunca desistimos de nosso pequeno, porque perdidos num labirinto procuramos incessantemente por um saída.. Hoje, acredito que estamos na direção certa porque já enxergamos uma luz, mas nossa caminhada continua... Voltando ao filme, fico preocupada com as cenas que mostram o garoto enxergando as letras pulando. Infelizmente, imagens parecidas foram e são utilizadas pelas pessoas que trabalham com a “dislexia da leitura”, isso pode induzir muita gente a cair nesta armadilha, resultando na perda de dinheiro e principalmente na perda de um tempo preciosa das nossas crianças. Em nenhum lugar do mundo existe cura instantânea para dislexia, não há lentes milagrosas! Quem quiser saber mais sobre a nossa experiência com este trabalho leia o post “Dislexia da Leitura”. Olha, a intenção do blog é retratar os caminhos de fracassos e vitórias para vencer a dislexia. Para nós a “dislexia da leitura” foi uma grande decepção, às vezes outras famílias tiveram resultado diferente. No nosso caso, caímos nesta num momento de desespero, vimos o assunto sendo tratado num programa de TV, estávamos esgotados após passar por inúmeros profissionais incompetentes de diversas áreas (fono, psicopedagogos, psicólogos, etc), na época acreditamos que aquela era a saída porque era o único tratamento que ainda não havíamos tentado, isto porque ainda não havíamos passado por profissionais sérios e competentes, mas sim por profissionais com NOME NO MERCADO e tivemos que sentir na pele, principalmente, na pele inocente do nosso guerreiro, que nem NOME, nem TÍTULO são sinônimos de competência! Enfim, o filme é LINDO e INSTRUTIVO, passei para psicopedagoga do guerreiro e ela também adorou!!! Mas agora, preciso utilizar a frase que direciona a obra Maquiavel “Os fins justificam os meios” para passar o link onde é possível ba*xar o filme. Não sou a favor da p*ratar*a, mas acho que este filme pode ajudar muitas famílias. http://www.megaupload.com/?d=SDMUPI9K
segunda-feira, 9 de maio de 2011
sábado, 11 de dezembro de 2010
Retomada e Vídeos
Após uma longa parada vou retomar pouco a pouco as atividades do blog.
Na última reunião na escola gravei um dvd para coordenadora, professora e psicóloga para que elas não percam de vista os problemas enfrentados pelas crianças com déficit de atenção e dislexia. São dois programas da Globo News e um livreto da Associação Brasileira de Dislexia que converti em vídeo.
Na última reunião na escola gravei um dvd para coordenadora, professora e psicóloga para que elas não percam de vista os problemas enfrentados pelas crianças com déficit de atenção e dislexia. São dois programas da Globo News e um livreto da Associação Brasileira de Dislexia que converti em vídeo.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Atividades realizadas pela psicopedagoga
A vida anda corrida e deixamos este cantinho de lado, mas agora prometemos um post por semana.
Já comentamos que depois de anos e anos de caminhada há alguns meses encontramos uma psicopedagoga MARAVILHOSA para trabalhar com nosso pequeno guerreiro.
Como outras profissionais ela trabalha com muitos jogos, dentre eles destacamos: Lego livre e montagem específicas, Cara a Cara, Memória, Master Júnior e jogos diferentes como o Equilíbrio – jogo de estratégia encontrado na loja Origem Virtual e tantos outros.
Atualmente, ela tem trabalhado bastante a interpretação e produção de textos. Inicialmente, ora ele lia uma página de um pequeno livro, ora ela, depois um fazia pergunta para o outro sobre uma determinada página. Algumas vezes eles disputavam no dado, quem ganhasse faria a pergunta, quem perdesse deveria escrever a resposta. Ela tem incentivado bastante a criação de pequenas histórias, hoje ele diz que quer ser escritor, antes odiava a escrita.
Nossa caminhada é longa mas ele já melhorou muito.
Através do google analytics percebemos que a maioria das visitas ao blog são de pessoas interessadas em atividades, então novamente indicamos o livro Dificuldades de Aprendizagem - Manual para Pais e Professores do Dr. Jordano Copetti, o livro é excelente e contém inúmeras atividades, vale a pena, são verdadeiras sessões de psicopedagogia por R$ 29,90. Nós compramos pela internet através do site da Juruá Editora.
Já comentamos que depois de anos e anos de caminhada há alguns meses encontramos uma psicopedagoga MARAVILHOSA para trabalhar com nosso pequeno guerreiro.
Como outras profissionais ela trabalha com muitos jogos, dentre eles destacamos: Lego livre e montagem específicas, Cara a Cara, Memória, Master Júnior e jogos diferentes como o Equilíbrio – jogo de estratégia encontrado na loja Origem Virtual e tantos outros.
Atualmente, ela tem trabalhado bastante a interpretação e produção de textos. Inicialmente, ora ele lia uma página de um pequeno livro, ora ela, depois um fazia pergunta para o outro sobre uma determinada página. Algumas vezes eles disputavam no dado, quem ganhasse faria a pergunta, quem perdesse deveria escrever a resposta. Ela tem incentivado bastante a criação de pequenas histórias, hoje ele diz que quer ser escritor, antes odiava a escrita.
Nossa caminhada é longa mas ele já melhorou muito.
Através do google analytics percebemos que a maioria das visitas ao blog são de pessoas interessadas em atividades, então novamente indicamos o livro Dificuldades de Aprendizagem - Manual para Pais e Professores do Dr. Jordano Copetti, o livro é excelente e contém inúmeras atividades, vale a pena, são verdadeiras sessões de psicopedagogia por R$ 29,90. Nós compramos pela internet através do site da Juruá Editora.
domingo, 23 de agosto de 2009
Cérebro e Dislexia
Encontramos esta notícia em um site de neurociências. Estudos como este derrubam discursos pessimistas de alguns que se intitulam estudiosos da dislexia.
http://www.neurolab.com.br/news/index.php?news_id=236&start=0&category_id=&parent_id=0&arcyear=2008&arcmonth=8
Programa intensivo de ensino consegue modificar cérebro de alunos disléxicos
Cientistas da Universidade Carnegie Melon, de Pittsburgh demonstraram como em alunos com problemas graves de leitura e compreensão, áreas do cerebro que estavam inativas podem ser ligadas com treinamento.
Os alunos, todos do quinto ano, foram avaliados através de técnicas especiais de ressonância nuclear magnética antes e após o período de recuperação Os exames permitiram aos pesquisadores determinarem através da medição do fluxo sanguíneo para o cérebro, durante as atividades escolares, os padrões de ativação.
Nos alunos classificados como disléxicos, determinadas regiões do cérebro eram menos ativadas. A area parietotemporal mostrou padrões bastante diferentes entre os alunos considerados normais e os com dificuldades de leitura.
Como os cientistas acreditavam na plasticidade, ou seja, na capacidade do cérebro humano de se adaptar e ativar regiões que antes não eram muito utilizadas, um programa especial de reforço foi traçado para essas crianças.
Foram 100 horas de treinamento especial em leitura e compreensão. O objetivo era superar a dificuldade de associação entre os sons das letras e suas formas escritas.
Outra descoberta importante do estudo foi a de que somente 10% das crianças apresentavam problemas visuais e dislexia, o que diverge da crença comum. Os exames de ressonância foram aplicados antes e após o reforço e um ano após. Todas as crianças do quinto ano foram submetidas a mesma bateria de testes para permitir a comparação.
Após o treinamento e no exame de revisão com um ano, as crianças disléxicas que tinham recebido o reforço especial mostravam padrões cerebrais semelhantes aos das crianças ditas normais. Esse estudo mostra que o cérebro humano é capaz de ser "reprogramado" com estímulos especialmente dirigidos e permitir que todos possam demonstrar suas potencialidades.
O trabalho em questão está publicado na edição de agosto da revista "Neuropsycologia
http://www.neurolab.com.br/news/index.php?news_id=236&start=0&category_id=&parent_id=0&arcyear=2008&arcmonth=8
Programa intensivo de ensino consegue modificar cérebro de alunos disléxicos
Cientistas da Universidade Carnegie Melon, de Pittsburgh demonstraram como em alunos com problemas graves de leitura e compreensão, áreas do cerebro que estavam inativas podem ser ligadas com treinamento.
Os alunos, todos do quinto ano, foram avaliados através de técnicas especiais de ressonância nuclear magnética antes e após o período de recuperação Os exames permitiram aos pesquisadores determinarem através da medição do fluxo sanguíneo para o cérebro, durante as atividades escolares, os padrões de ativação.
Nos alunos classificados como disléxicos, determinadas regiões do cérebro eram menos ativadas. A area parietotemporal mostrou padrões bastante diferentes entre os alunos considerados normais e os com dificuldades de leitura.
Como os cientistas acreditavam na plasticidade, ou seja, na capacidade do cérebro humano de se adaptar e ativar regiões que antes não eram muito utilizadas, um programa especial de reforço foi traçado para essas crianças.
Foram 100 horas de treinamento especial em leitura e compreensão. O objetivo era superar a dificuldade de associação entre os sons das letras e suas formas escritas.
Outra descoberta importante do estudo foi a de que somente 10% das crianças apresentavam problemas visuais e dislexia, o que diverge da crença comum. Os exames de ressonância foram aplicados antes e após o reforço e um ano após. Todas as crianças do quinto ano foram submetidas a mesma bateria de testes para permitir a comparação.
Após o treinamento e no exame de revisão com um ano, as crianças disléxicas que tinham recebido o reforço especial mostravam padrões cerebrais semelhantes aos das crianças ditas normais. Esse estudo mostra que o cérebro humano é capaz de ser "reprogramado" com estímulos especialmente dirigidos e permitir que todos possam demonstrar suas potencialidades.
O trabalho em questão está publicado na edição de agosto da revista "Neuropsycologia
Fatos Fudamentais
Em julho, na última reunião da escola, a professora informou que a partir de agosto as crianças começariam a decorar os fatos fundamentais - adição e subtração - disse que enviaria fichas para serem decoradas. Mas como no ano passado o pequeno se recusou a olhar as tais fichas, resolvi fazer um DVD com os fatos usando os personagens que ele mais gosta Star Wars, X-Men, Harry Potter, etc, assim ele pode ficar na frente da TV estudando. Deu um trabalhão, já gravei um dvd, mas agora resolvi fazer algumas modificações, vai ai a primeira versão.
Vencendo mais uma batalha
Vencemos a primeira batalha contra os problemas de aprendizagem do nosso pequeno guerreiro quando, em abril deste ano, recebemos o diagnóstico de déficit de atenção e dislexia.
Depois de mais de dois anos, de uma árdua caminhada, encontramos profissionais competentes. A partir de então, com a medicação e o tratamento psicopedagógico correto, pela primeira vez, começamos a colher os frutos do tratamento. Em maio já percebíamos uma melhora significativa, a psicopedagoga elogiava o esforço do pequeno e nossa felicidade aumentava a cada dia.
Em meados de julho, recebemos o relatório da escola, esperávamos um relatório que demonstrasse a evolução do nosso pequeno, mas foi um verdadeiro “balde de água fria”. O relatório continha pouquíssimo pontos positivos. Tivemos a impressão que a escola tinha ignorado completamente o diagnóstico de dislexia e déficit de atenção, bem como as recomendações do médico, pois em nenhum momento citaram os diagnósticos, apenas ressaltaram a leitura lenta, a dificuldade de entendimento do que lê, as trocas de letras, etc... Ressaltaram problemas que são inerentes aos disléxicos, sem citar o diagnóstico, sem citar a evolução que percebíamos, ficamos extremamente decepcionados.
Sinceramente, num primeiro momento, sentimos vontade de manifestar nossa indignação com o relatório, assinado pela professora e pela coordenadora - mas como professora deste ano sempre foi muito carinhosa com o pequeno, como no ano anterior havíamos tido muitos enfrentamentos com a coordenadora - resolvemos deixar passar.
No entanto, levamos o relatório para psicopedagoga que também ficou decepcionada, ela argumentou que muitas vezes a escola tinha dificuldade de aceitar e reconhecer a evolução de um aluno, principalmente, quando a solução para resolver o problema não havia partido dos membros da escola, etc. Argumentou também que o importante era que nós estávamos percebendo evolução do pequeno, disse para não comentarmos nada sobre o relatório na escola, etc. Concordamos com ela, mas ainda assim ficamos extremamente magoados com a escola.
No entanto, na quarta-feira desta semana, ao deixarmos o guerreiro na escola, a professora nos chamou e disse que a evolução do nosso pequeno era impressionante, disse que ele praticamente não precisava mais de ajuda nas provas, era um dos únicos que lembrava de elaborar respostas completas, estava muito bem em matemática, que até os professores de aulas especializadas (artes, música, ed. física e informática) estavam impressionados com ele. Oh meu Deus! Quanta alegria! Quanta satisfação! Vencemos mais uma batalha, mas a luta continua!
Depois de mais de dois anos, de uma árdua caminhada, encontramos profissionais competentes. A partir de então, com a medicação e o tratamento psicopedagógico correto, pela primeira vez, começamos a colher os frutos do tratamento. Em maio já percebíamos uma melhora significativa, a psicopedagoga elogiava o esforço do pequeno e nossa felicidade aumentava a cada dia.
Em meados de julho, recebemos o relatório da escola, esperávamos um relatório que demonstrasse a evolução do nosso pequeno, mas foi um verdadeiro “balde de água fria”. O relatório continha pouquíssimo pontos positivos. Tivemos a impressão que a escola tinha ignorado completamente o diagnóstico de dislexia e déficit de atenção, bem como as recomendações do médico, pois em nenhum momento citaram os diagnósticos, apenas ressaltaram a leitura lenta, a dificuldade de entendimento do que lê, as trocas de letras, etc... Ressaltaram problemas que são inerentes aos disléxicos, sem citar o diagnóstico, sem citar a evolução que percebíamos, ficamos extremamente decepcionados.
Sinceramente, num primeiro momento, sentimos vontade de manifestar nossa indignação com o relatório, assinado pela professora e pela coordenadora - mas como professora deste ano sempre foi muito carinhosa com o pequeno, como no ano anterior havíamos tido muitos enfrentamentos com a coordenadora - resolvemos deixar passar.
No entanto, levamos o relatório para psicopedagoga que também ficou decepcionada, ela argumentou que muitas vezes a escola tinha dificuldade de aceitar e reconhecer a evolução de um aluno, principalmente, quando a solução para resolver o problema não havia partido dos membros da escola, etc. Argumentou também que o importante era que nós estávamos percebendo evolução do pequeno, disse para não comentarmos nada sobre o relatório na escola, etc. Concordamos com ela, mas ainda assim ficamos extremamente magoados com a escola.
No entanto, na quarta-feira desta semana, ao deixarmos o guerreiro na escola, a professora nos chamou e disse que a evolução do nosso pequeno era impressionante, disse que ele praticamente não precisava mais de ajuda nas provas, era um dos únicos que lembrava de elaborar respostas completas, estava muito bem em matemática, que até os professores de aulas especializadas (artes, música, ed. física e informática) estavam impressionados com ele. Oh meu Deus! Quanta alegria! Quanta satisfação! Vencemos mais uma batalha, mas a luta continua!
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
Dislexia da Leitura - Decepção
Conhecendo o tratamento
Em 2007, assistimos a um programa de TV sobre dislexia da leitura. A forma como o tema foi abordado nos deixou bastante impressionados, falaram que o tratamento seguia uma proposta interdisciplinar com pedagogos, psicólogos e médicos. Durante o programa, a única coisa que estranhamos foi a superexposição de um menino de 8 anos, ele estava lá junto com a mãe e com a especialista em dislexia da leitura para comprovar a eficácia do tratamento.
Imaginamos que maravilha seria resolver os problemas de leitura do nosso pequeno com uma lente colorida. No entanto, por se tratar de um tratamento pouco convencional guardamos esta informação como um trunfo para ser utilizado mais adiante.
Marcação dos exames
No início deste ano, desesperados por não obter resultados com o nosso pequeno guerreiro - nas sessões com psicólogos, pedagogos e psicopedagogos - procuramos a clínica especializada em dislexia da leitura. A marcação de exames para o diagnóstico foi a seguinte:
1º dia - 08:00h Entrevista c/ psicóloga - 10:00h Consulta oftalmologica. Levar questionário preenchido, 3 paginas do caderno de matemática e do caderno de português, laudos médicos,etc. Valor R$ 61,25
2º dia - 5 exames - Campo visual,FDC,ortoptico,aberrometria e visão funcional - 08:00h à 12:00h. Valor R$550,14
3º dia - Avaliação neurovisual com a especialista - 8:00h às 10:30h. Valor R$767,00
Colocamos o cronograma acima para mostrar que nosso pequeno passou por muitos profissionais e um grande desgaste, os valores são um detalhe.
Aparte – Baixa auto-estima de criança com problemas de aprendizagem
Antes do relato da nossa caminhada na clínica de dislexia da leitura, cabe uma observação sobre a auto-estima das crianças com problemas de aprendizagem. Sabemos que há inúmeros artigos científicos que apontam para o grande número de crianças com problemas de aprendizagem com baixa auto estima. Nosso pequeno guerreiro não é diferente, em março deste ano, quando procuramos a clínica de dislexia da leitura, ele estava há 6 meses fazendo um tratamento psicológico para tratar questões de baixa estima. A orientação era reforçar seus pontos positivos, dizer a todo momento que ele era capaz, etc.
Na clínica - Primeiro dia
No primeiro dia na clínica fomos recebidos por uma psicóloga. A entrevista inicial era com os pais e a criança. Não disseram que a presença dos dois era obrigatória, no nosso caso apenas um de nós acompanhou o pequeno. Assim que entramos na sala, a psicóloga disparou inúmeras perguntas na frente do nosso pequeno ”Porque vocês estão aqui? Ele tem problemas na escola? A gravidez foi desejada? Teve problemas no parto? Problemas neurológicos? Ele lê de forma lenta? Ele escreve devagar? Ele não da conta de acompanhar os colegas, etc...
Meu Deus! Quanto despreparo para lidar com crianças com problemas de leitura! Estamos falando de crianças, não de adolescentes, estamos falando de um garoto de 7 anos! Nunca vimos uma coisa daquelas! Entrevista inicial junto com a criança! Pensamos que uma pessoa conversaria com o pai, outra com a criança, ou que em algum momento haveria um local para a criança ficar fazendo outra atividade. De repente, nos deparamos com um lugar onde não havia opção, a não ser falar tudo na frente do pequeno. Ora, não que ele não soubesse das dificuldades que tem, mas qual é o objetivo de reforçar isto na frente dele! Uma criança que já tem problemas de auto estima! Nosso discurso de que estávamos ali para ele ficar ainda melhor foi por água abaixo, assim como o tratamento para auto estima...
Meu Deus! Realmente éramos pais desesperados e cegos em busca de uma solução milagrosa! Na entrevista devíamos ter percebido que havia algo muito errado naquele lugar!
Após a entrevista, aguardamos a consulta com o médico. Como a proposta era interdisciplinar acreditamos que antes da consulta a psicóloga teria uma conversa com ele. Mas não! Assim que entramos na sala o médico disparou “Porque vocês estão aqui? Ele tem problemas na escola? A leitura é lenta? Mais um turbilhão de perguntas na frente do pequeno! Inacreditável!!!
Meu Deus! Realmente éramos pais desesperados e cegos em busca de uma solução milagrosa! Psicóloga e médico, não é possível! Devíamos ter percebido que havia algo muito errado naquele lugar!
Segundo dia
Logicamente, nosso guerreiro não queria mais um dia naquele lugar onde o tempo todo suas dificuldades eram ressaltadas. Mas como pais desesperados insistimos com o pequeno, como pais cegos não queríamos perder a oportunidade de estar na única clínica do Brasil que faz o diagnóstico de dislexia da leitura.
Era outro dia, acreditamos que o trabalho interdisciplinar ia prevalecer, provavelmente, a equipe havia conversado sobre o caso do nosso pequeno e não seriam feitas as mesmas perguntas.
Por acaso, encontramos com a pedagoga na recepção enquanto esperávamos mais uma consulta, ela perguntou algo como “Vocês estão aqui para fazer os exames relacionados a dislexia da leitura?” Ingenuamente respondemos “Sim!”. Inacreditavelmente, ali mesmo na recepção, diante de várias pessoas, diante do nosso pequeno, ela disparou “Ele tem problemas na escola? Ele tem problemas com a leitura?, etc...” Respondemos educadamente que já havíamos passado pela entrevista e a psicóloga já tinha todas as informações - cortamos a conversa!
Meu Deus! Realmente éramos pais desesperados e cegos em busca de uma solução milagrosa! Psicóloga, médico e pedagoga, não é possível! Devíamos ter percebido que havia algo muito errado naquele lugar!
Entramos na sala para mais um exame e a médica perguntou “Vocês estão aqui porque ele tem problemas na escola? Sem acreditar, educadamente e tentando dar um toque na médica respondemos “Não! No ano anterior ele teve muitos problemas, mas este ano ele está muito bem! Está fazendo a 2ª série novamente e é um ótimo aluno! Inacreditavelmente ela respondeu “Ah, ele está repetindo, então é por isto que agora ele está indo bem, repetiu o ano!
Meu Deus! Realmente éramos pais desesperados e cegos em busca de uma solução milagrosa! Psicóloga, médico, pedagoga, médica, não é possível! Devíamos ter percebido que havia algo muito errado naquele lugar!
A cegueira começou a se desfazer, saímos daquela sala e fomos procurar a dona da clínica e especialista em dislexia da leitura. Logicamente, ninguém queria fornecer o email, nem telefone para falarmos diretamente com a tal mulher, mas coincidentemente ela passou na nossa frente. Sim, aquela era especialista que vimos no programa TV.
Pedimos uma conversa reservada, falamos da nossa insatisfação desde a entrevista aos exames, da falta de habilidade para lidar com crianças... ela pareceu receptiva, no entanto, o dono da clínica, pai da especialista entrou na sala, ela disse que estávamos dando sugestões interessantes, mas o homem arrogante disse que o indivíduo deveria saber o que tinha, etc. Contra-argumentamos dizendo que o indivíduo era uma criança de 7 anos, que deveria saber o que tinha a partir de um diagnóstico. Ele prepotente disse que aquela era uma questão acadêmica, que talvez este fosse um problema do nosso filho. Mantivemos nossa postura, a questão era acadêmica sim, comprovadamente crianças com problemas de aprendizagem tem problemas de auto estima e nosso filho era uma destas crianças. A especialista, filha do dono da clinica, tentou contornar a situação e disse que ia conversar com a equipe.
Meu Deus! Realmente éramos pais desesperados em busca de uma solução milagrosa! Psicóloga, médico, pedagoga, médica, o dono da clinica, não é possível! Agora sim, percebemos que havia algo muito errado naquele lugar! Já não éramos cegos, mas ainda éramos desesperados! Não podíamos perder a oportunidade de estar na única clínica do Brasil que faz o diagnóstico e tratamento de dislexia da leitura.
Terceiro dia
Logicamente, nosso guerreiro resistiu a mais um dia naquele lugar onde o tempo todo suas dificuldades eram ressaltadas
Ainda tínhamos um exame antes da avaliação neurovisual com a especialista. Assim, por precaução, pedimos para falar antecipadamente com a pessoa que faria o exame para evitar que ele fizesse perguntas na frente do pequeno, mas disseram que não era possível, então pedimos que o recado fosse transmitido a ela.
Enquanto aguardávamos na recepção lotada de pessoas, sentados ao lado do nosso pequeno, aconteceu algo surreal, aproximou-se de nós uma moça perguntando “Vocês é que pediram para não falar nada na frente da criança?” Despistamos, fizemos um sinal dizendo que não, mas ela insistiu “Foram vocês sim, pediram para não falar na frente da criança que ela tem dificuldade de leitura, eu queria dizer que eu não faço isto não! Eu não falo nada disso!” Não deu pra segurar e disparamos “Ah, não fala não! Então o que é que você está fazendo agora?” ela “Eu sou estou falando porque vocês foram lá falar” Nesta hora nos perdemos o controle, a vontade era de bater naquela mulher, mas olhamos para o pequeno e dizemos “Filho, esta moça é louca! Aqui está cheio de gente louca, desculpe-nos por trazermos você aqui”!
Meu Deus! Realmente éramos pais desesperados em busca de uma solução milagrosa! Psicóloga, médico, pedagoga, médica, o dono da clinica, a moça que faz um tal exame. Estava tudo errado naquele lugar! Mas desesperados não podíamos perder a oportunidade de estar na única clínica do Brasil que faz o diagnóstico e tratamento de dislexia da leitura
Chegada a etapa com a especialista, mas para nossa surpresa quem fazia a tal avaliação neurovisual era uma assistente. Ela entrou com o nosso pequeno numa sala, nós ficamos do lado de fora.
Cabe um aparte - não é segredo que crianças com dificuldades de leitura tem resistência a leitura, cansam-se facilmente, tem horror da leitura oral, principalmente na frente de desconhecidos. Pois é, mas a tal assistente, entrou com nosso pequeno numa sala para fazer os testes com as lentes milagrosas, por 2 horas nosso pequeno teve que ler textos com lentes de cores diferentes. Depois de um intervalo, ele pediu pelo amor de Deus para acabarmos com aquilo, mas os pais desesperados insistiram e ele ficou mais 1 hora fazendo testes.
Terminada esta etapa, veio a hora do show, a especialista, dona da clinica no levou para uma sala e fez uma apresentação sobre dislexia da leitura e Síndrome de Irlen. Naquele momento, confirmamos nossa suspeita, somente ela tinha acesso a todos os exames e a entrevista, na verdade, não havia uma equipe com psicólogo, pedagogo e médico para discutir juntos um caso, eles apenas seguiam um protocolo e não haviam sido preparados para isto. Após a propaganda dos filtros, a especialista falou sobre os resultados de nosso pequeno, disse que com o filtro ele lia cerca de 22% a mais de palavras em determinado tempo. Disse que eles esperavam resultados melhores, que ele deveria ter outro problema além da Síndrome de Irlem, citou vários distúrbios, inclusive a dislexia. Perguntamos se ele tinha dislexia e ela disse “Não sabemos, porque nós fazemos o diagnóstico de Síndrome de Irlen, diagnóstico de dislexia nos não fazemos!”. No final a especialista indicou para nosso pequeno uma lente cinza claro, quase branca, valor R$ 1.500,OO.
Em casa
Saímos de lá, conversamos bastante, analisamos a situação e decidimos não fazer as lentes. Chegamos a conclusão que nosso pequeno ficou horas e horas testando lentes porque não havia lente que resolvesse seu problema, por isto a lente quase branca.
Descobrimos da pior forma, expondo nosso pequeno, que tudo aquilo era uma ilusão, aquele lugar explorava pessoas desesperadas em busca de uma solução milagrosa para um problema complexo. Acordamos, precisávamos colocar a cabeça no lugar, deixar o desespero de lado e continuar a caminhada para ajudar nosso pequeno guerreiro. Hoje, sabemos que o problema do nosso pequeno é o déficit de atenção e dislexia, nos últimos meses ele avançou muito, mas nossa luta continua...
Sindrome de Irlen?
Após esta triste experiência conversamos com vários oftalmologistas respeitados daqui de BH, um deles professor titular na UFMG, eles foram categóricos ao afirmar que não há comprovação científica sobre a eficácia das tais lentes coloridas. Disseram que justamente porque não há comprovação científica a clínica promove curso somente para educadores e nunca para área médica porque sabem que serão criticados. Abominam a propaganda que a clínica faz nas escolas, inclusive um deles nos passou um artigo da The American Academy of Ophthalmology sobre a inconsistência dos estudos relacionados a Síndrome de Irlen. Segue o link:
http://www.eyecareamerica.org/eyecare/treatment/alternative-therapies/vision-therapies-learning-disabilities.cfm
Em 2007, assistimos a um programa de TV sobre dislexia da leitura. A forma como o tema foi abordado nos deixou bastante impressionados, falaram que o tratamento seguia uma proposta interdisciplinar com pedagogos, psicólogos e médicos. Durante o programa, a única coisa que estranhamos foi a superexposição de um menino de 8 anos, ele estava lá junto com a mãe e com a especialista em dislexia da leitura para comprovar a eficácia do tratamento.
Imaginamos que maravilha seria resolver os problemas de leitura do nosso pequeno com uma lente colorida. No entanto, por se tratar de um tratamento pouco convencional guardamos esta informação como um trunfo para ser utilizado mais adiante.
Marcação dos exames
No início deste ano, desesperados por não obter resultados com o nosso pequeno guerreiro - nas sessões com psicólogos, pedagogos e psicopedagogos - procuramos a clínica especializada em dislexia da leitura. A marcação de exames para o diagnóstico foi a seguinte:
1º dia - 08:00h Entrevista c/ psicóloga - 10:00h Consulta oftalmologica. Levar questionário preenchido, 3 paginas do caderno de matemática e do caderno de português, laudos médicos,etc. Valor R$ 61,25
2º dia - 5 exames - Campo visual,FDC,ortoptico,aberrometria e visão funcional - 08:00h à 12:00h. Valor R$550,14
3º dia - Avaliação neurovisual com a especialista - 8:00h às 10:30h. Valor R$767,00
Colocamos o cronograma acima para mostrar que nosso pequeno passou por muitos profissionais e um grande desgaste, os valores são um detalhe.
Aparte – Baixa auto-estima de criança com problemas de aprendizagem
Antes do relato da nossa caminhada na clínica de dislexia da leitura, cabe uma observação sobre a auto-estima das crianças com problemas de aprendizagem. Sabemos que há inúmeros artigos científicos que apontam para o grande número de crianças com problemas de aprendizagem com baixa auto estima. Nosso pequeno guerreiro não é diferente, em março deste ano, quando procuramos a clínica de dislexia da leitura, ele estava há 6 meses fazendo um tratamento psicológico para tratar questões de baixa estima. A orientação era reforçar seus pontos positivos, dizer a todo momento que ele era capaz, etc.
Na clínica - Primeiro dia
No primeiro dia na clínica fomos recebidos por uma psicóloga. A entrevista inicial era com os pais e a criança. Não disseram que a presença dos dois era obrigatória, no nosso caso apenas um de nós acompanhou o pequeno. Assim que entramos na sala, a psicóloga disparou inúmeras perguntas na frente do nosso pequeno ”Porque vocês estão aqui? Ele tem problemas na escola? A gravidez foi desejada? Teve problemas no parto? Problemas neurológicos? Ele lê de forma lenta? Ele escreve devagar? Ele não da conta de acompanhar os colegas, etc...
Meu Deus! Quanto despreparo para lidar com crianças com problemas de leitura! Estamos falando de crianças, não de adolescentes, estamos falando de um garoto de 7 anos! Nunca vimos uma coisa daquelas! Entrevista inicial junto com a criança! Pensamos que uma pessoa conversaria com o pai, outra com a criança, ou que em algum momento haveria um local para a criança ficar fazendo outra atividade. De repente, nos deparamos com um lugar onde não havia opção, a não ser falar tudo na frente do pequeno. Ora, não que ele não soubesse das dificuldades que tem, mas qual é o objetivo de reforçar isto na frente dele! Uma criança que já tem problemas de auto estima! Nosso discurso de que estávamos ali para ele ficar ainda melhor foi por água abaixo, assim como o tratamento para auto estima...
Meu Deus! Realmente éramos pais desesperados e cegos em busca de uma solução milagrosa! Na entrevista devíamos ter percebido que havia algo muito errado naquele lugar!
Após a entrevista, aguardamos a consulta com o médico. Como a proposta era interdisciplinar acreditamos que antes da consulta a psicóloga teria uma conversa com ele. Mas não! Assim que entramos na sala o médico disparou “Porque vocês estão aqui? Ele tem problemas na escola? A leitura é lenta? Mais um turbilhão de perguntas na frente do pequeno! Inacreditável!!!
Meu Deus! Realmente éramos pais desesperados e cegos em busca de uma solução milagrosa! Psicóloga e médico, não é possível! Devíamos ter percebido que havia algo muito errado naquele lugar!
Segundo dia
Logicamente, nosso guerreiro não queria mais um dia naquele lugar onde o tempo todo suas dificuldades eram ressaltadas. Mas como pais desesperados insistimos com o pequeno, como pais cegos não queríamos perder a oportunidade de estar na única clínica do Brasil que faz o diagnóstico de dislexia da leitura.
Era outro dia, acreditamos que o trabalho interdisciplinar ia prevalecer, provavelmente, a equipe havia conversado sobre o caso do nosso pequeno e não seriam feitas as mesmas perguntas.
Por acaso, encontramos com a pedagoga na recepção enquanto esperávamos mais uma consulta, ela perguntou algo como “Vocês estão aqui para fazer os exames relacionados a dislexia da leitura?” Ingenuamente respondemos “Sim!”. Inacreditavelmente, ali mesmo na recepção, diante de várias pessoas, diante do nosso pequeno, ela disparou “Ele tem problemas na escola? Ele tem problemas com a leitura?, etc...” Respondemos educadamente que já havíamos passado pela entrevista e a psicóloga já tinha todas as informações - cortamos a conversa!
Meu Deus! Realmente éramos pais desesperados e cegos em busca de uma solução milagrosa! Psicóloga, médico e pedagoga, não é possível! Devíamos ter percebido que havia algo muito errado naquele lugar!
Entramos na sala para mais um exame e a médica perguntou “Vocês estão aqui porque ele tem problemas na escola? Sem acreditar, educadamente e tentando dar um toque na médica respondemos “Não! No ano anterior ele teve muitos problemas, mas este ano ele está muito bem! Está fazendo a 2ª série novamente e é um ótimo aluno! Inacreditavelmente ela respondeu “Ah, ele está repetindo, então é por isto que agora ele está indo bem, repetiu o ano!
Meu Deus! Realmente éramos pais desesperados e cegos em busca de uma solução milagrosa! Psicóloga, médico, pedagoga, médica, não é possível! Devíamos ter percebido que havia algo muito errado naquele lugar!
A cegueira começou a se desfazer, saímos daquela sala e fomos procurar a dona da clínica e especialista em dislexia da leitura. Logicamente, ninguém queria fornecer o email, nem telefone para falarmos diretamente com a tal mulher, mas coincidentemente ela passou na nossa frente. Sim, aquela era especialista que vimos no programa TV.
Pedimos uma conversa reservada, falamos da nossa insatisfação desde a entrevista aos exames, da falta de habilidade para lidar com crianças... ela pareceu receptiva, no entanto, o dono da clínica, pai da especialista entrou na sala, ela disse que estávamos dando sugestões interessantes, mas o homem arrogante disse que o indivíduo deveria saber o que tinha, etc. Contra-argumentamos dizendo que o indivíduo era uma criança de 7 anos, que deveria saber o que tinha a partir de um diagnóstico. Ele prepotente disse que aquela era uma questão acadêmica, que talvez este fosse um problema do nosso filho. Mantivemos nossa postura, a questão era acadêmica sim, comprovadamente crianças com problemas de aprendizagem tem problemas de auto estima e nosso filho era uma destas crianças. A especialista, filha do dono da clinica, tentou contornar a situação e disse que ia conversar com a equipe.
Meu Deus! Realmente éramos pais desesperados em busca de uma solução milagrosa! Psicóloga, médico, pedagoga, médica, o dono da clinica, não é possível! Agora sim, percebemos que havia algo muito errado naquele lugar! Já não éramos cegos, mas ainda éramos desesperados! Não podíamos perder a oportunidade de estar na única clínica do Brasil que faz o diagnóstico e tratamento de dislexia da leitura.
Terceiro dia
Logicamente, nosso guerreiro resistiu a mais um dia naquele lugar onde o tempo todo suas dificuldades eram ressaltadas
Ainda tínhamos um exame antes da avaliação neurovisual com a especialista. Assim, por precaução, pedimos para falar antecipadamente com a pessoa que faria o exame para evitar que ele fizesse perguntas na frente do pequeno, mas disseram que não era possível, então pedimos que o recado fosse transmitido a ela.
Enquanto aguardávamos na recepção lotada de pessoas, sentados ao lado do nosso pequeno, aconteceu algo surreal, aproximou-se de nós uma moça perguntando “Vocês é que pediram para não falar nada na frente da criança?” Despistamos, fizemos um sinal dizendo que não, mas ela insistiu “Foram vocês sim, pediram para não falar na frente da criança que ela tem dificuldade de leitura, eu queria dizer que eu não faço isto não! Eu não falo nada disso!” Não deu pra segurar e disparamos “Ah, não fala não! Então o que é que você está fazendo agora?” ela “Eu sou estou falando porque vocês foram lá falar” Nesta hora nos perdemos o controle, a vontade era de bater naquela mulher, mas olhamos para o pequeno e dizemos “Filho, esta moça é louca! Aqui está cheio de gente louca, desculpe-nos por trazermos você aqui”!
Meu Deus! Realmente éramos pais desesperados em busca de uma solução milagrosa! Psicóloga, médico, pedagoga, médica, o dono da clinica, a moça que faz um tal exame. Estava tudo errado naquele lugar! Mas desesperados não podíamos perder a oportunidade de estar na única clínica do Brasil que faz o diagnóstico e tratamento de dislexia da leitura
Chegada a etapa com a especialista, mas para nossa surpresa quem fazia a tal avaliação neurovisual era uma assistente. Ela entrou com o nosso pequeno numa sala, nós ficamos do lado de fora.
Cabe um aparte - não é segredo que crianças com dificuldades de leitura tem resistência a leitura, cansam-se facilmente, tem horror da leitura oral, principalmente na frente de desconhecidos. Pois é, mas a tal assistente, entrou com nosso pequeno numa sala para fazer os testes com as lentes milagrosas, por 2 horas nosso pequeno teve que ler textos com lentes de cores diferentes. Depois de um intervalo, ele pediu pelo amor de Deus para acabarmos com aquilo, mas os pais desesperados insistiram e ele ficou mais 1 hora fazendo testes.
Terminada esta etapa, veio a hora do show, a especialista, dona da clinica no levou para uma sala e fez uma apresentação sobre dislexia da leitura e Síndrome de Irlen. Naquele momento, confirmamos nossa suspeita, somente ela tinha acesso a todos os exames e a entrevista, na verdade, não havia uma equipe com psicólogo, pedagogo e médico para discutir juntos um caso, eles apenas seguiam um protocolo e não haviam sido preparados para isto. Após a propaganda dos filtros, a especialista falou sobre os resultados de nosso pequeno, disse que com o filtro ele lia cerca de 22% a mais de palavras em determinado tempo. Disse que eles esperavam resultados melhores, que ele deveria ter outro problema além da Síndrome de Irlem, citou vários distúrbios, inclusive a dislexia. Perguntamos se ele tinha dislexia e ela disse “Não sabemos, porque nós fazemos o diagnóstico de Síndrome de Irlen, diagnóstico de dislexia nos não fazemos!”. No final a especialista indicou para nosso pequeno uma lente cinza claro, quase branca, valor R$ 1.500,OO.
Em casa
Saímos de lá, conversamos bastante, analisamos a situação e decidimos não fazer as lentes. Chegamos a conclusão que nosso pequeno ficou horas e horas testando lentes porque não havia lente que resolvesse seu problema, por isto a lente quase branca.
Descobrimos da pior forma, expondo nosso pequeno, que tudo aquilo era uma ilusão, aquele lugar explorava pessoas desesperadas em busca de uma solução milagrosa para um problema complexo. Acordamos, precisávamos colocar a cabeça no lugar, deixar o desespero de lado e continuar a caminhada para ajudar nosso pequeno guerreiro. Hoje, sabemos que o problema do nosso pequeno é o déficit de atenção e dislexia, nos últimos meses ele avançou muito, mas nossa luta continua...
Sindrome de Irlen?
Após esta triste experiência conversamos com vários oftalmologistas respeitados daqui de BH, um deles professor titular na UFMG, eles foram categóricos ao afirmar que não há comprovação científica sobre a eficácia das tais lentes coloridas. Disseram que justamente porque não há comprovação científica a clínica promove curso somente para educadores e nunca para área médica porque sabem que serão criticados. Abominam a propaganda que a clínica faz nas escolas, inclusive um deles nos passou um artigo da The American Academy of Ophthalmology sobre a inconsistência dos estudos relacionados a Síndrome de Irlen. Segue o link:
http://www.eyecareamerica.org/eyecare/treatment/alternative-therapies/vision-therapies-learning-disabilities.cfm
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